O homem que anda no ônibus lotado

Ouvi a frase do título desse texto de meu filho. No auge dos seus 27 anos, com duas faculdades incompletas. Ele me disse que quando andava de ônibus ao voltar da escola, ele via homens cansados dentro dos ônibus lotados, com aparências infelizes e ele se prometeu que seria rico. Que não passaria nunca por aquela situação. Sempre trabalhei muito, desde criança trabalhei, meus empregos nunca foram muito legais, mas ganhava o suficiente para nos sustentar, mesmo assim, pra ele não foi suficiente. Pois bem, ele passou para uma Universidade Pública para fazer o curso de engenharia, ao qual não se adaptou, depois tentou outro curso Economia, também não se adaptou e agora está em um curso de uma faculdade particular tentando fazer um curso de gerenciamento. Não sei se está conseguindo se adaptar. Ao ouvir esse relato dele, percebi que ele entendeu tudo errado. E fiquei imaginando em que momento errei tanto por deixar aquele menino tão perdido diante da vida e dos problemas. Confesso que fiquei profundamente triste, pois não encontrava respostas. Enfim. Hoje após um ano que ouvi a frase, ainda me entristeço muito! Imagino, quanta ilusão ainda ele traz no coração e na mente. E que ainda não consegui abordar o assunto com ele. Não consegui dizer pra ele que aqueles homens, que ele os considera como derrotados, são verdadeiros heróis. São eles, com suas firmezas, dedicação, obediência, criam suas famílias e dão aos seus filhos oportunidades de crescimento. Eles são verdadeiras escadas, heróis muitas vezes incompreendidos pelos seus filhos e famílias. Esses homens e mulheres que encaram ônibus cheios, após um dia inteiro de trabalho são heróis, campeões e pessoas que deveríamos respeitar e conhecer melhor suas histórias e dramas. Ainda não tive coragem de conversar com ele sobre tudo isso, até porque acho que se meus exemplos não foram suficientes para ele entender o processo, não serão minhas palavras, que o farão.



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